Eu estava com uma sensação estranha. Sabia que algo estava errado, mas não conseguia definir o que era.
A Taty ja estava mais calma, continuava sentada no sofá e me encarava com uma expressão estranha... parecia... pena?
"Não, eu só posso estar imaginando essas coisas..." - Pensei.
Ela não me falou muita coisa, só sabia que era o André ao celular, morrendo de preocupação. Obviamente ele também sabia o que havia acontecido na noite passada.
Por que só eu não sabia?
Dei mais uma olhada pela sala, estava tudo igual. Os controles do video-game na mesinha, algumas camisetas jogadas pelo sofá misturadas com as almofadas, um monte de papeis e revistas espalhados por todos lugares.
Suspirei.
Infelizmente minha ansiedade estava se voltando para o meu estomago, de repente eu estava com uma fome lascada! Vontade de comer alguma coisa diferente...
Suspirei, não ia comer. pensei em ir dormir.
-Onde você vai? - a Taty me perguntou quando eu passei por ela.
Atravessei a sala em silencio e fui em direção ao quarto do André, abri a porta e tudo estava exatamente igual... a câmera na escrivaninha do PC, a cama desarrumada, minha mochila no canto do armario... algumas bermudas na porta do closet.
A mesma bagunça que me fazia me sentir em casa.
Sentei na beira da cama e fiquei olhando pro vazio por alguns segundos. Por mais que tentasse ontem a noite era um buraco vazio na minha mente, um espaço vago.
Encostei a cabeça no travesseiro e senti o cheiro do André. Inspirei e tentei guardar aquele cheiro nas minhas lembranças.
Percebi que estava carente da compania dele comigo. O jeito muleque de agir e toda aquela irresponsabilidade dele que me irritava.
Droga, eu me deixei levar pela emoção de novo... E lá estava eu todo bobão pensando no André...
Fechei os olhos e tentei me concentrar na memória, em tudo que eu havia feito naquela noite.
Uma coisa de cada vez; uma memoria mais nítida de tudo que aconteceu...
Me lembrava exatamente de tudo, de quando eu peguei o taxi, de quando eu sai da boate, quando encontrei eles... quando voltamos pra casa... o fedor de bêbado do André chorão...
Nós dois sentados no sofá juntos... Ele me contando algumas coisas...
-Ei Pietro...
-Ah... Já chega né André.
-Não, não é sobre eu e você não.
-Hum... - "que bom" - pensei
-Bom na verdade é, mas não sobre agora.
Demorou muito pra começar... Ele sempre começa a falar coisas sem nexo e depois acaba me convencendo que eu estava errado e ele é o amor da minha vida. Isso até provar que eu estava errado e que ele não vale nada.